O MISA Moçambique reagiu ao atentado sofrido pelo jornalista do Grupo SOICO, com Ernesto Nhanala a enviar mensagem de conforto e solidariedade a Carlitos Cadangue, sublinhando que “tem sido uma voz muito activa, e nós estamos vindo assistir à coragem, ao impacto do trabalho que tem realizado em Manica”.
Para o MISA Moçambique, o atentado aconteceu devido à persistência do trabalho que o jornalista tem desenvolvido através da STV, relacionado à poluição do meio ambiente em Manica, o que obrigou o Governo a indicar uma Comissão Interministerial para fazer uma investigação à actividade mineira.
“Nós todos, como sociedade, acompanhamos o quanto o trabalho do Carlitos Cadangue denunciou os impactos que a poluição causada por mineração ilegal estava a causar em Manica. Certamente que o crime contra o meio ambiente só podia ser possível se por trás disto estivessem pessoas com poder e que não respeitem as leis em Moçambique”, disse Nhanala, frisando ser grave que os referidos grupos estejam por trás da perseguição e intimidação do jornalista.
Aliás, Ernesto Nhanala diz mesmo que “é um atentado claro contra a vida dele”, referindo que o facto de ter estado com o filho pode provocar algum trauma familiar.
“Nós, como MISA, achamos que o Estado moçambicano tem de deitar uma mão muito dura investigando este caso e, de certa forma, penalizar de forma exemplar os que tentaram colocar em risco a vida do Carlitos Cadangue. Este acto, com certeza, coloca em prova a actuação dos jornalistas na perseguição do dossier da mineração, que continua, inclusive, a fornecer novidades”, referindo-se à descoberta de novos filões de ouro, noticiados nesta quarta-feira por Carlitos Cadangue.
O MISA refere ainda que este atentado é uma forma encontrada para calar a voz activa dos que denunciam incumprimento da lei sobre mineração. “Eu tenho certeza de que esta matéria deve, de certa forma, mostrar a nossa persistência e, acima de tudo, o nosso compromisso com o bem-estar e, mais uma vez, para além daquela Comissão Interministerial que foi nomeada para investigar estes fenómenos, esta situação de poluição, o Estado tem de, também, tomar uma mão firme, porque esta é uma tentativa de fragilizar todo o processo de investigação, tocando naqueles que não têm protecção, que são os jornalistas, porque o que nós temos vindo a assistir é que, efectivamente, o Estado não nos protege. Nós, como MISA, temos vindo a clamar já desde há muito tempo que há fracos mecanismos de protecção dos jornalistas”, disse.
Recorde-se que Carlitos Cadangue tem estado a denunciar actividade mineira na mina dos “seis carros”, bem como em outros locais, que tinham sido encerrados pelo Governo, entretanto em funcionamento com protecção de agentes da Polícia da República de Moçambique.
Fonte: O País Online

