A construção de uma vala de drenagem, orçada em mais de 500 milhões de meticais, surge como a principal solução para travar as inundações que assolam o bairro de Boquisso A, na Matola, desde 2023.

Com cerca de 12 quilómetros de extensão, a infraestrutura deverá atravessar os bairros de Matlemele, Nkobe e Matola Gare, conduzindo as águas até ao rio Mulaúze.
Apesar da dimensão do projecto, os moradores recordam com cepticismo promessas anteriores, nomeadamente a abertura de uma vala num prazo de cinco dias, que nunca chegou a concretizar-se. A retirada inexplicável das máquinas do local agravou a desconfiança e o sentimento de abandono.
Perante o agravamento das cheias, os munícipes deslocaram-se ao Conselho Municipal para exigir esclarecimentos ao edil, Júlio Parruque, levando mesmo à interrupção dos trabalhos da Assembleia Municipal. A iniciativa expôs a pressão crescente sobre as autoridades.
O município reconhece as dificuldades técnicas e financeiras, mas assegura que a vala faz parte de um plano estruturante de drenagem. Em zonas mais críticas, admite-se ainda o reassentamento de famílias e a criação de bacias de retenção para melhor controlo das águas.
Com a promessa de retoma das obras já na próxima semana, a construção da vala volta a assumir papel central na esperança dos moradores. Entre a incerteza e a expectativa, a população aguarda que desta vez o projecto avance e ponha fim a um problema que se tornou insustentável.

Fonte: Folha de Maputo

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