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| PNG aos 50 anos: Servir e cada vez melhor a humanidade |
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| Terça, 27 Julho 2010 06:42 |
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O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), na província central de Sofala, completou na passada 6ª feira, dia 23, 50 anos de existência como tal. Mais de uma centena de pessoas foi juntar-se a outras centenas oriundas das comunidades locais para assinalarem a efeméride, numa altura em que aquela estância turística já vai fazendo parte do mapa turístico mundial ou mesmo já vai dando o seu contributo não só ao país como à humanidade. Foram 50 anos que conheceram várias fases desde a sua existência apenas como reserva de caça, depois a sua passagem já para parque, a sua destruição e abandono em consequência da guerra que foi imposta ao país e que destruiu tudo, até aos dias de hoje em que se ergue a olhos vistos e se reafirma como referencia nacional e internacional embora o caminho ainda seja longo. As comemorações destas bodas de ouro decorreram sob o lema 50º Aniversário do Parque Nacional da Gorongosa, 1960-2010: Um Paraíso Que Moçambique Oferece Ao Mundo”. O Ministro do Turismo, Fernando Sumbana, presidiu à cerimónia, que consistiu principalmente na inauguração de um centro de educação comunitária (CEC) no interior do parque. Depois foi a praxe, própria de ocasiões desta natureza. Falando a jornalistas pouco depois de inaugurar e visitar o CEC, o ministro começou por dizer que os 50 anos do PNG eram uma mistura de ganhos e perdas, mas que acima de tudo a reflexão do Governo era de que havia um rumo pela frente e que era preciso trabalhar mais para multiplicar os ganhos registados até este momento. Sumbana recordou que este parque foi declarado mesmo antes da independência, primeiro como reserva de caça, passando depois a parque, com o objectivo de preservação dos ecossistemas. Mais tarde conquistou uma grande reputação internacional dada a sua grande biodiversidade, a quantidade de fauna que era possível avaliar, como os leões, era o parque com maior quantidade de leões em África, a proximidade com a reserva de búfalos de Marromeu. Para nossa infelicidade, posteriormente, veio a desgraça trazida pela guerra de desestabilização, que destruiu a sua fauna e o seu tecido humano. “Felizmente, encontrámos uma plataforma em 1992, quando entrámos num processo de paz. Em 97, já o então Primeiro-Ministro, Pascoal Mocumbi, vinha para aqui inaugurar a relançamento do PNG. A partir daí trabalhou-se no sentido de posicionar este parque a nível global, fazer com que ele seja uma referência no Continente Africano. Hoje verificamos que estão sendo introduzidos aqui elementos de referência não só nacional mas que também vão constituir um marco para aqueles que preservam o desenvolvimento social, a integração das comunidades na preservação da sua própria riqueza em benefício da humanidade porque este parque não beneficia só Moçambique mas todo o mundo, o efeito positivo no que diz respeito ao dióxido de carbono que este parque tem estado a jogar faz com o Governo moçambicano revele a grande responsabilidade que tem”. Fernando Sumbana fez questão de recordar o ano de 2007, ao qual chamou mesmo de outro marco quando se fez este casamento com a Fundação Greg Carr, que compreendeu os objectivos do Governo moçambicano, mesmo tendo em conta que quando chegou o seu propósito era trabalhar na reserva especial de Maputo mas Convidados os seus elementos a visitar o PNG estes ficaram surpreendidos com a biodiversidade e ecossistemas, pelo que decidiram apostar num desafio que já tinha sido manifestado em 97 quando o parque foi reaberto, trabalhando na perspectiva social, mas ao mesmo tempo na preservação das espécies, no desenvolvimento de actividades económicas e na vertente tecnológica. Respondendo a uma pergunta sobre a aderência dos cidadãos moçambicanos ao PNG, o ministro afirmou que os moçambicanos já visitam o parque. Compatriotas, sobretudo das cidades da Beira, Chimoio e Maputo, vêm ao parque mas considerou que era preciso continuar um programa de promoção porque, no seu entender, há possibilidades de muitas mais pessoas visitarem o local. “Muitas vezes temos o produto disponível mas o marketing é que é importante. Tenho que dizer que de certo modo concordamos com aquilo que foi a perspectiva da Administração do Parque de criarmos as condições mínimas, por exemplo estas que já permitem as pessoas não só virem ver o elefante ou o leão mas também ter uma educação em termos ambientais e mesmo de negócios”. Os dados disponíveis indicam que as visitas turísticas ao parque têm estado a aumentar de ano para ano, ao mesmo tempo que vão sendo diversificados os produtos disponibilizados às pessoas que chegam àquele local. Entretanto, neste momento, segundo conseguimos apurar das autoridades do PNG. Está em negociação um processo de importação de cerca de 200 zebras do Zimbabwe, está igualmente em curso um processo interno de capacitação da reserva de Marromeu, de búfalos. A ideia é capturar e translocar búfalos de Marromeu. Esta é a primeira vez que as reservas e os parques estão a trabalhar em conjunto para restabelecerem as populações de animais. O Parque Nacional da Gorongosa, com cerca de 3770km2, situa-se no extremo sul do Grande Vale do Rift africano. Ostenta uma diversidade de ecossistemas distintos desde as pradarias salpicadas por áreas de acácias, savanas, floresta seca em zona de áreas térmitas. Também possui planaltos que contêm florestas de miombo e de montanha e uma floresta húmida no sopé de uma série de desfiladeiros. A REABILITAÇÃO: ALGUNS DISSERAM QUE NUNCA SERIA POSSÍVEL UM dos convidados a estes 50 anos foi o Eng.º Baldeu Chande, o homem a quem foi atribuída a responsabilidade de, depois de rubricado o Acordo Geral de Paz em 1992, reunir os “cacos do copo partido” e começar tudo de novo tendo em vista a reposição do Parque Nacional da Gorongosa. Enquanto decorria a cerimónia tradicional à volta da inauguração do centro de educação descobrimo-lo entre os presentes, sempre na sua modéstia, como quem não tem nada a ver com a coisa. Mas como nós sabemos que ele tem sim a ver com a coisa, convidámo-lo a esta breve conversa: N- Foi a pessoa indicada para vir dar os primeiros passos na recuperação do PNG depois da guerra. Como se deu com a experiencia? BC- Sim, eu vim aqui logo depois do AGP, fiz a ocupação do espaço, montei a primeira equipa de gestão e comecei a trabalhar. Tinha certeza de que isso ia levar tempo. O que mais agrada é que a minha projecção era que o parque voltaria a ocupar o seu lugar provavelmente em 2015, mas agrada ver que antes dessa altura o parque já deu os passos que deu. N- Qual foi o segredo? BC- O segredo foi praticamente montar uma equipa de fiscalização e trabalhar com as pessoas no sentido de conservarem aquilo que ainda existia. Foi preciso entrar em diversos acordos, alguns deles difíceis, com as comunidades, para que não continuassem a caçar nos níveis em que caçavam. Hoje posso verificar que embora possam continuar a caçar há uma certa sustentabilidade porque os efectivos animais continuam a aumentar. N- Quais foram os outros grandes desafios que enfrentou nesse período? BC- Bom, primeiro havia uma certa falta de compreensão nas pessoas. Tínhamos poucos recursos na altura. As pessoas quase que não acreditavam naquilo que estávamos a fazer, o que era conflituoso, mas foi preciso estar de pé e acreditar naquilo que estava a acontecer e ir para frente. Havia o problema da desminagem do parque, era preciso reabrir as picadas todas e começar a erguer as infra-estruturas com as pessoas que estavam cá a trabalhar, motivá-las, principalmente para o trabalho de fiscalização enquanto muito timidamente fazíamos alguns estudos que nos mostravam alguns caminhos. N- Em algum momento sentiu algum desânimo ou a perder energias? BC- Não diria que perdi energias. Tenho uma característica que é esta quando acredito em alguma coisa vou para frente mesmo que tenha várias pessoas a dizerem que não, eu vou para frente. N- Neste caso havia pessoas a dizerem que não ao projecto? BC- Houve várias pessoas que disseram que não era possível reabilitar este parque, que falavam principalmente da importação de animais para repovoar o parque, mas eu pus-me de pé e disse não, este parque tem capacidade porque o ecossistema estava em condições, tem capacidade para sarar as feridas que tinham sido provocadas nele principalmente em termos de fauna, e o resultado foi que, acreditando nisso, nós vimos. Aliás, pode observar que todos os animais que está a ver no parque nenhum deles foi trazido, os que foram trazidos estão no santuário. Significa que este esforço valeu a pena, embora nós não sejamos técnicos cotados dentro daquilo que é top quality, como se costuma dizer. Mas os conhecimentos que tínhamos permitiram que fizéssemos um trabalho que hoje dignifica o nosso país. N- Hoje em que lugar colocaria o PNG no mundo? BC- Acho que o parque está a dar passos muito gigantes e provavelmente dentro da África Austral pode não estar como o parque melhor cotado, mas a sua fama está a regressar e a equiparar-se a um Kruger e outros. A única diferença é que ele tem as características que tem, só pode ser visitado durante uma parte do ano porque na outra não é possível por causa das chuvas, mas acredito que com um pouco mais de trabalho que está mais ou menos projectado nas nossas cabeças sem violar muito o ambiente natural, podemos criar condições para termos visitantes ao longo de todo o ano e criarmos uma série de produtos que possam ser diversificados. Quem vier no tempo de chuva pode ter produtos que possam satisfazer o seu desejo de apreciar a natureza. N- Olhando para o futuro o que é que está a ver mais? BC- Tenho uma filosofia. Conservação para mim é o mais importante porque precisamos de olhar para isto com muita responsabilidade tendo em conta que há mudanças climáticas globais que estão a ocorrer. Então todo o esforço que deve ser dado em termos de conservação é primário, depois diria que, como tem o seu preço fazer conservação, temos que desenvolver um turismo que possa atrair pessoas para que possam ir contribuindo com as suas visitas para que a gente vá desenvolvendo outras actividades.
CENTRO DE EDUCAÇÃO COMUNITÁRIA: O QUE É? ACABARAM AS PAREDES INICIA O PROJECTO DAS PESSOAS Fonte: Noticias |
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