Clima desfavorável atrasa desenvolvimento de África

ImagePeritos em desenvolvimento, que neste caso têm estado a tentar encontrar uma explicação mais aceitável sobre porquê é que África é o continente mais atrasado em termos de desenvolvimento, e que não se conformam com a explicação simplista e comum de que foi por ter sido colonizada, sustentam que o que está por detrás deste seu acentuado subdesenvolvimento tem a ver com o carácter duro e mesmo adverso do seu clima, que nunca foi favorável à vida e desenvolvimento humano.

Um dos estudiosos é um canadiano que despendeu décadas em África, de nome Robert Calderisi, que sustenta num livro que baptizou com o título ´´The Trouble of Africa´´, no qual faz uma apaixonada análise e profunda dos múltiplos problemas sócio-económicos do continente, tendo chegado à conclusão de que mais do que o colonialismo, a causa mãe que está por detrás do seu atraso é o tal seu clima duro e adverso ao Homem.

Apoiando-se na tese materialista já comprovada de que foi em África onde os homens se originaram e dela partiram para outros pontos do globo, diz haver provas de que são os longos períodos de seca porque muitas regiões ou países africanas passam sem que tenham uma única gota da água das chuvas, que têm retardado o seu desenvolvimento, para além de que a maioria das crianças que nascem no continente, morrem logo a seguir, muitas vezes antes de celebrar o seu primeiro, ou no máximo, quinto aniversário, vítimas das incontáveis epidemias e insectos como os mosquitos que têm injectado o vírus da mortífera malária.

Ele se vale de certos estudos que apontam que os milhões de outros seres humanos que agora pululam nos restantes quatro continentes de que África é um dos cinco, são descendentes de um grupo de cerca de 50 que acossados por essa agressividade climática e epidemias, decidiu, há já 100 mil anos, empreender uma aventura e abandonar o continente em busca de locais mais favoráveis à sua sobrevivência e ao seu desenvolvimento.

Ele diz que os tais cerca de 50 africanos que saíram conseguiram fixar-se em zonas temperadas, onde passaram a desfrutar de um clima que era favorável ao desenvolvimento da agricultura, ao mesmo tempo que as suas crianças não morriam aos magotes como acontecia em África, e que, como resultado, por volta do advento do cristianismo, que neste caso ocorreu há 2007 anos, eles tinham atingido o número recorde de 200 milhões de pessoas, contra apenas 20 milhões no mesmo período em relação aos um milhão que haviam permanecido no continente africano.

Esta mesma explicação é secundada num outro estudo feito muito mais tarde por um outro estudioso e jornalista de nome Robert Guest,  e que neste caso foi um dos que cobriu as devastadoras cheias de 2000 em Moçambique.

Calderisi diz que é esta adversidade à sobrevivência humana que explica por que é que 22 dos 48 países africanos que se situam na parte sul do Sahara, onde esse carácter anti-homem do seu clima é mais acentuado, têm uma população tão pequena com menos de 10 milhões de habitantes, não obstante alguns deles sejam tão grandes em tamanho, que chegam a ser 15  vezes mais que alguns europeus, como é o caso de Angola em relação a Portugal. Apontam esta limitação populacional, como sendo outra razão que faz com que haja poucos que se interessam em investir os seus capitais em África, uma vez que só se investe onde se sabe que haverá quem consumirá o que se irá produzir.

O que prova que África tem uma população que não corresponde com a sua grandeza geográfica, é que apesar de ser cinco vezes mais que a Europa, tem quase o mesmo número de habitantes. África conta agora com mais de 600 milhões de habitantes, contra mais de 500 milhões de europeus que habitam nos 27 países que integram agora a União Europeia. Pior que esta limitação, é que mais de metade destes 600 milhões vivem em apenas quatro dos 53 países africanos, nomeadamente 127 milhões na Nigéria, 64 milhões na Etiópia, 51 milhões na RD do Congo e, finalmente, 43 milhões na África do Sul.

NÃO FOI O COLONIALISMO QUE FEZ ATRASAR CONTINENTE

Tanto Calderisi como Guest se valem de muitos factos irrefutáveis para provar que longe de ser o colonialismo a causa mãe do chocante atraso do continente africano, o maior culpado e o seu clima adverso que como se disse já, nunca favoreceu a própria vida humana e muito menos o seu desenvolvimento. No caso de Calderisi, diz que para além de que as chuvas em África são um fenómeno tão raro como os raios solares nos países situados no Hemisfério Norte como na Europa e na América do Norte, há o facto de que o extenso continente, que neste caso é segundo maior do globo a seguir à Ásia, e que é cinco vezes a Europa, tem muito poucos portos capazes de receber navios de grande porte, que há nas costas de outros continentes, e que foram vitais para o intercâmbio do comércio com países de outros pontos do mundo, ao mesmo tempo que conta com muito poucos rios navegáveis, que desaguam nos seus oceanos.

Para sustentar esta sua tese, eles se valem de outros países situados em outros pontos do globo, que também estiveram sob uma longa e estagnante colonização, e que se libertaram dele também ao longo dos últimos 50 anos, mas que hoje estão tão desenvolvidos como quase as suas antigas colónias.

Eles negam a teoria defendida por alguns racistas, que tentam explicar o crónico atraso dos africanos alegando que se de deve à limitação da sua inteligência, dizendo que se fosse isso, então todos os seres humanos que agora habitam outros pontos do globo teriam o mesmo problema, porque, como se disse já, saíram desta mesma África, e tanto os que emigraram como os que cá permaneceram são descendentes da mesma raiz genealógica e reserva evolucionista, que teve o seu começo há mais de quatro milhões de anos neste mesmo continente.

Estes estudiosos dizem que com o actual aquecimento global, que resulta do agravamento do buraco do Ozono, a agressividade climática em África está se tornando cada vez mais grave e mais anti-humano e inibidora do desenvolvimento, como o disse o presidente Guebuza na sua intervenção nesta II Cimeira Europa-África vista por alguns analistas como sendo a única oportunidade que as lideranças europeias têm para corrigir a sua velha política de impor aos africanos regras de permutas económicas que concorrem para perpetuar o seu atraso socioeconómico que, como se viu ao longo deste artigo, tem no clima a sua principal causa.

Nesta cimeira, a Europa surge pela primeira vez a dizer que o seu próprio futuro estará comprometido caso África se mantenha estagnada, o que para alguns é uma maneira de tentar ganhar os corações dos africanos agora de mão dadas com a China, com que nos últimos 10 anos aumentaram as trocas comerciais em 400 vezes contra apenas 50 vezes com a Europa. A razão que os africanos dão a esta aceleração no intercâmbio de negócios com os chineses é que é feito numa base do tipo win-win ou ganhos iguais, que é o que vinham implorando em vão há mais de 50 anos aos europeus.

ALTAS TEMPERATURAS INVIABILIZAM AS COLHEITAS

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Falando em sessão plenária, na II cimeira entre a União Europeia e África, fim de semana, em Lisboa, o Presidente da República, Armando Guebuza, deixou claro que o nível de temperaturas que se tem feito sentir em Moçambique, já são uma confirmação do que os peritos em climatologia vinham advertindo que seriam a nossa realidade caso continuássemos surdos ao que diziam, principalmente quando vincavam que quem mais sofreria com as mudanças climáticas seriam os países do Terceiro Mundo e africanos em particular.

Guebuza espelhou um cenário ensombrado, destacando que os efeitos das crescentes mudanças climáticas se vão revelando através de elevadas temperaturas que as pessoas já não suportam mais, e que mesmo os mais velhos nunca antes as tinham experimentado no pais, alternadas por cheias cíclicas com uma força tão devastadora como os furacões que, como se sabe, por onde passam não há nada que fica em pé, ou que sobreviva, como foi o caso das de 2000 que ocorreram em Moçambique e que mataram centenas de  pessoas e que deixaram a muitos moçambicanos a indelével imagem de um verdadeiro dilúvio semelhante ao que e descreve na Bíblia.

Deixou claro que as elevadas temperaturas não só afectam os homens como tal e os deixam exaustos e sem força para trabalhar, como inviabilizam as colheitas, o que é grave, tendo em conta que a maioria dos moçambicanos tem como seu ganha-pão a agricultura.

Fonte: Jornalnoticias